Quem foi Monteiro Lobato?

José Bento Renato Monteiro Lobato nasceu em 18 de abril de 1882 na cidade de Taubaté, interior de São Paulo. É considerado um dos grandes nomes da literatura brasileira e o precursor da literatura infantil.

Foi criado na fazenda, alfabetizado por sua própria mãe e somente aos sete anos de idade entrou na escola e começou a descobrir o grande prazer da leitura. Influenciado por seu avô materno, Lobato leu todos os livros infantis da biblioteca de sua casa, tornando-se um estudante dedicado, além de começar a escrever contos para o jornal da escola.

Em 1893, aos onze anos, foi transferido para o Colégio São João Evangelista, o qual frequentou até 1896, quando se mudou para a capital, onde prestou exames para um curso preparatório, mas foi reprovado e então retornou a Taubaté.

Neste período, Monteiro Lobato começou a colecionar textos e recortes de jornais que o interessavam, sem nunca deixar a leitura de lado. Apaixonado também pela escrita escreveu pequenos contos para jornais locais.

Depois de estudar mais, ele prestou novamente os exames para o Instituto Ciências e Letras em São Paulo e foi aprovado. Colaborou com os jornais O Patriota e A Pátria e, através disso, conseguiu se estabilizar definitivamente na cidade.

Em 1898, perdeu seu pai e, em 1899, sua mãe, então Lobato decidiu participar das sessões do Grêmio Literário Álvares de Azevedo. Na mesma época, tornou-se desenhista e cartunista, pois desde pequeno retratava, com muito talento, a Fazenda Buquira.

Formação

Sempre sonhou cursar a Faculdade de Belas Artes, mas, por imposição do avô, acabou cursando Direito. Em 1904 terminou a faculdade, tornando-se bacharel em Direito. No ano de 1907 foi nomeado promotor público, casou-se com Maria Pureza e teve quatro filhos. Quando estava com 29 anos, Monteiro Lobato recebeu a notícia do falecimento do avô, então se mudou para a Fazenda Buquira, da qual era herdeiro. Escreveu artigos e enviou caricaturas para jornais e revistas, traduziu muitas obras da literatura universal e, além disso, fez planos para a fazenda do avô tornar-se um negócio rentável.

Mesmo com muitas atividades na fazenda, não se afastou da literatura e escreveu um artigo que denunciava as queimadas no Vale do Paraíba para o jornal O Estado de São Paulo. Em 1914, escreveu Urupês e criou Jeca Tatu, personagem preguiçoso e acomodado. Logo em seguida, Monteiro Lobato resolveu se mudar para a capital novamente, pois se sentia cansado da vida monótona do campo, porém foi o dinheiro da venda da fazenda que permitiu que ele continuasse a ser um escritor-jornalista. Contribuiu em diversas publicações, tais como: Vida Moderna e Parafuso, mas o que mais lhe agradou foi a ideologia nacionalista da Revista do Brasil, a qual comprou em 1918. Lobato foi bem-sucedido com o trabalho de editor, auxiliou muitos autores novatos e lançou obras de artistas modernistas, o que gerou grandes conflitos durante a Semana de Arte Moderna.

Em 1920, escreveu sua primeira história dedicada às crianças, A menina do narizinho arrebitado, e depois desse sucesso criou novas aventuras com os mesmos personagens. Mesclou o folclore nacional com costumes da roça e criou os personagens infantis mais famosos da literatura: Pedrinho, Dona Benta, Narizinho, Visconde de Sabugosa, Rabicó, tia Nastácia e Emília, a bonequinha de pano falante e encrenqueira. Todos eles faziam parte do Sítio do Pica Pau Amarelo, que se tornou símbolo da verdadeira infância, pois neste sítio as crianças brincavam, ouviam histórias, encontravam personagens mitológicos e aprendiam muito na biblioteca local. Tanto foi o sucesso do Sítio, que suas histórias foram adaptadas para séries de televisão desde 1952 até os dias atuais.

Ideais

As revoluções, a política e os problemas sociais que ocorreram em 1924 paralisaram o trabalho da editora de Monteiro Lobato por meses, o que resultou em muitas dívidas e na falência de sua empresa. Mesmo com dificuldades, a grande determinação do autor perseverou e ele fundou a Companhia Editora Nacional, sua nova empresa. Depois de alguns anos se mudou para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1927, quando resolveu morar em Nova Iorque, deixando a Editora no comando de seu sócio. Nos EUA, dedicou-se a estudar e a solucionar os problemas mais difíceis do Brasil, criando relações comerciais entre os dois países para fortalecer a economia brasileira. Persistente e muito criativo, Lobato fez o que acreditava ser possível para estruturar o país, porém suas ideias não agradaram ao governo, que acabou por prendê-lo por um pequeno tempo. Em 1948, já em liberdade, passou por um período crítico em sua vida: perdeu seu filho, presenciou a queda de algumas de suas companhias e sofreu perseguição durante a ditadura.

Morou por um pequeno tempo na Argentina, lançou suas obras completas em trinta volumes e regressou ao Brasil. Aos 66 anos de idade, sofreu espasmos cerebrais e faleceu no dia 4 de julho de 1948. O Brasil então perdeu um grande escritor, alguém que lutava pelo que julgava certo e que defendia a verdade, dizendo o que pensava, agradasse ou não. Monteiro Lobato sempre transmitiu conhecimento em suas obras, deixando para as crianças o exemplo da criatividade e imaginação e para os adultos seus ideais e críticas por um país melhor e justo.